A Verdade vos Libertará • João 8:32


   Agenda     Artigos      Loja      Destaques     Downloads      Elid      Indo a sua igreja      Cursos      Links      Videos   

Libertação e Cura: Funções do Pastoreio

“A fraca não fortaleceste, a doente não curaste, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. Assim se espalham, por não haver pastor, e se tornaram pasto para todas as feras do campo. Eis que eu estou contra os pastores” (Ezequiel 34:4,5,10)

Já no início deste livro, comecei relatando a situação daquela filha de Abraão, que há dezoito anos vinha padecendo de um cativeiro espiritual. Procurei mostrar em alguns pontos a seriedade espiritual desta mulher, muito embora isto parecesse não ter repercutido em sua cura e libertação. Entretanto, porque isto acontece? Será que há algo além de nossa responsabilidade individual que pode também determinar benção ou maldição sobre as nossas vidas, apesar do nosso bom rendimento espiritual perante Deus? Sinceramente, eu acredito que sim. Nossos pais, por exemplo, podem ser responsáveis por muitas coisas boas ou ruins que acontecem em nosso cotidiano. Tenho chamado isto de ‘legado de nossos pais’, onde percebo que recebemos deles heranças físicas, psicológicas e também espirituais. Aqui não irei me delongar neste ponto, mas veja por exemplo, a herança psicológica. Já parou para pensar como nos parecemos com os nossos pais psicologicamente? Já meditou sobre como o seu interior é fruto da família de onde veio e foi criado? Pense por exemplo, no modo como seus pais lhe educaram, lhe compreenderam ou aceitaram e como também se portaram perante você. Muitos de nós carregamos as marcas da falência conjugal de nossos pais ou do êxito que tiveram. Espiritualmente, nossos pais também nos ajudaram ou prejudicaram. ‘Pais’ aqui está sendo dito num sentido mais longínquo, referindo-se aos nossos ancestrais. Às vezes somos uma família de pessoas pervertidas sexualmente ou participamos de uma família que traz a marca da violência, quem sabe do divórcio, do alcoolismo, aborto e também outras coisas mais. Nossa lista poderia ser em muito alongada. São estas herança que Pedro disse, “…fútil procedimento que vossos pais vos legaram” (I Pedro 1:18), ou se preferir podemos citar Moisés, “porque eu sou o Senhor teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos” (Êxodo 20:5,6).
Pertencemos também há uma nação que por si só pode trazer bênçãos ou maldiçoes sobre as nossas vidas. O sistema político, econômico e social de nosso país nos atinge quase completamente. Nossas autoridades civis e políticas também podem determinar muitas coisas boas ou ruins para nós. Porque o Brasil passa por grandes crises, todos nós de algum modo sofremos por causa disto e às vezes decisões que são tomadas lá em cima nos afetam aqui embaixo. Neste ponto podemos citar também a igreja da qual fazemos parte. O clima espiritual aonde congregamos também influi em nosso nível espiritual. Observe que geralmente classificamos uma comunidade cristã local como ‘fria’ ou ‘quente’, tradicional ou renovada, pensando na coletividade, pois esta é a representação de todos os indivíduos ali presentes, ou seja, a igreja incorpora as características dos seus congregantes; mas não somente isto: esta coletividade de pessoas, que reune-se em um local, tem poder espiritual também para influenciar positiva ou negativamente sobre alguém. Será que você nunca escutou conversas do tipo, “fulano desde quando foi para aquela igreja, nunca mais foi o mesmo” ou então “sua vida espiritual é um fracasso desde quando congregou-se naquele lugar” ou pensando positivamente, “que coisa maravilhosa, aquela igreja fez um bem enorme para ele, é tudo de que precisava!”. Estes comentários demonstram que as pessoas podem mesmo ser afetadas ou beneficiadas pelo lugar onde congregam. Infelizmente, alguns locais foram até chamados por Jesus de “sinagoga de satanás”, e isto se referindo há um ambiente de culto onde judeus se reuniam (Apoc 2:9)

Quando Pastores Tornam-se Adversários de Cristo

Agora, vamos voltar ao capítulo 13 do livro de Lucas, no episódio da filha de Abraão. Disse no início que possivelmente esta senhora não estava apenas há 18 anos andando encurvada, presa espiritualmente, estava também há 18 anos naquela igreja. O povo ali congregado já convivia com esta mulher durante todo este tempo, mas por incrível que pareça: ninguém suspeitou que ela estivesse em cativeiro! A igreja permanecia fria diante das necessidades espirituais das pessoas que ali passavam. Mas não é somente esta comunidade local que se nega a tratar dos seus feridos, curando-os e libertando-os, o seu pastor também segue a mesma linha de raciocínio. Aliás, deve-se colocar as coisas na ordem certa, fazendo assim justiça: a igreja se encontrava assim, pois assim era também o seu pastor local. Veja a sua reação perante Jesus, “indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, nesses dias para serdes curados, e não no sábado” (v.14). Eu fico pensando que coisa esquisita foi a reação deste líder: além de não contribuir em nada para a cura e para a libertação daquela humilde senhora, dá-lhe ainda uma bronca, assim como em toda a sua igreja, dizendo que se quisessem ser curados e libertos, que por favor, vissem em outro dia, não no sábado. A resposta de Jesus foi imediata, “Hipócritas, cada um de vós não desprende da manjedoura, no sábado o seu boi ou o seu jumento, para leva-lo a beber?” (v.15). Em outras palavras, Jesus lhes está perguntando: vocês no sábado também não vão lá nos pastos e desatam as ovelhas, bois e jumentos e não os levam para beber? Não fazem isto no sábado e com animais? Veja a conclusão do mestre, “Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro em dia de sábado esta filha de Abraão a quem satanás trazia presa há dezoito anos?”(v.16). Se vocês desatam os animais no sábado, não seria muito mais importante neste dia, desatar pessoas das mãos do diabo? Interpelou-lhes Jesus. O que é mais importante para vocês: desatar pessoas ou animais, bichos ou gentes? Qual é pois a missão da igreja? Para que vocês estão aí? Foi mais ou menos o que Cristo lhes disse com estas palavras. O resultado de toda esta confusão, provinda de Cristo ter libertado uma mulher (já imaginou?), foi que os oponentes do Senhor saíram daquela reunião envergonhados, “Tendo ele dito estas palavras todos os seus adversários se envergonharam” (v.17). É estranho o fato do evangelista Lucas classificar os líderes daquela igreja local como ‘adversários’ do próprio Cristo. Já pensou nisto? Líderes da igreja tornarem-se adversários do próprio Senhor da Igreja? Isto pode mesmo acontecer? As Escrituras mostram que sim e isto chega a ser desastroso.

O Que Há de Errado Com Nosso Pastoreio?

Sinceramente, eu fiquei meio pesaroso ao estar escrevendo uma conclusão como esta, pois ela está endereçada aos pastores, e diga-se de passagem, eu também sou um deles. O que pode estar de errado com o nosso pastoreio? Por que na profecia de Ezequiel 34, Deus diz estar “contra os pastores”(v.10)? É sobre isto que iremos falar agora.
Que coisa terrível e intrigante foi a missão do profeta Ezequiel, que tantas vezes foi levantado para falar às nações pagãs, aos reis perversos, ao povo de Israel que por diversas vezes insistia em desobedecer ao Senhor, mas agora é chamado a profetizar contra “os pastores de Israel” (v.2). Tantas pessoas para serem exortadas, curadas, perdoadas, chamada à atenção, mas aqui neste ponto, os que estão precisando de uma palavra mais firme de Deus são os próprios líderes espirituais de Israel. E olhe que não foi uma palavra qualquer, Deus estava mesmo insatisfeito com estes pastores. Estes líderes que foram colocados em uma função especial e importantíssima, visando cuidar do povo, zelar por sua vida espiritual, alimenta-los, curar suas feridas, reconduzir os desgarrados ao aprisco, chamar de volta os que se perderam, etc., parecem agora estar esquecidos de sua própria vocação e do sentido real de sua existência. Deus lhes interroga, “Não apascentam os pastores as ovelhas?”(v.2). Não é esta mesma a função do pastor? Não é para isto que ele existe? Pastor não é aquele que cuida de ovelhas? Foram estes mais ou menos os questionamentos levantados por Deus. Entretanto, deparamo-nos aqui com líderes que Deus qualificou como infiéis. Eles faziam de tudo, dizia o Senhor, menos cuidar de ovelhas!.

O Real Sentido do Pastoreio Bíblico

Qual era o perfil destes pastores infieis? Eles tratavam o ministério de modo trivial e pouco sério. Ao invés de apascentarem suas ovelhas, tentavam fazer isto para si mesmos, tornando-se pastores ensimesmados. Mas não só isto: ao invés de cuidarem das ovelhas, nesta tarefa do ‘auto-pastoreamente’ acabam por explora-las. Veja o que disse o Senhor, “Comeis a gordura, vesti-vos da lã e depois degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas”(v.3). Alimentavam-se das ovelhas ao mesmo tempo em que as deixavam morrer de fome; por isto estes líderes tornavam-se mais e mais corruptos e cegos. E o Senhor disse mais ainda, “a fraca não fortaleceste, a doente não curaste, a quebrada não ligaste, a desgarrada não tornaste a trazer e a perdida não buscaste” (v.4). Aqui pelo menos quatro coisas são especificadas, coisas estas que faziam parte das necessidades de uma ovelha: primeiramente, não fortaleciam aquelas ovelhas enfraquecidas. Às vezes nós pastores gostamos daquelas ovelhas mais gordas, mais robustas, aquelas que mais têm a nos oferecer e acabamos por deixar de lado as fracas e as que mais necessitariam do nosso cuidado. Veja como isto contrasta-se com a postura de Jesus: com quem ele mais se preocupou enquanto esteve aqui na terra? Foi com as ovelhas fortes, saradas, ricas, cheias de coisas para nos dar? Foi esta a classe que mais atraiu a atenção do mestre? Claro que não. Diz a palavra, “E sucedeu que, estando ele em casa, à mesa, muitos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discípulos” (Mateus 9:10). Por causa disto Jesus foi duramente criticados pelos ‘pastores’ daquela época, mas veja a sua réplica, “os sãos não precisam de médico, e, sim, os doentes”(v.12). Na verdade Ele veio primeiramente para “evangelizar aos pobres” (Lucas 4:18) e assim satisfazer suas reais necessidades espirituais. Fortalecer a ovelha fraca então, deve ser uma das funções do pastoreio exigido por Deus. Isto pode envolver oração, um tempo de aconselhamento, de incentivo, quem sabe até uma visita em sua casa e tantas outras coisas que poderão firmar uma ovelha na sua vida espiritual.
Mas não somente isto, o Senhor disse mais através do profeta: a doente vocês não curaram, a quebrada também não ligaram (ou seja, as feridas não foram fechadas). Quantas ovelhas doentes temos em nosso aprisco! Parece que o número está a perder de vista. Mas não devemos nos contentar com isto e sucumbirmos em uma atitude pessimista, dizendo: há… não tem jeito mesmo, Deus sabe o que faz! Ou então, dizermos: são todos crentes e seus problemas são mera aparência, pois Cristo já levou todos para a cruz! Há, existe uma outra palavra que gostamos muito de usar: ore um pouco mais irmão, jejue, Deus vai te dar vitória, tchau! (e às vezes quase escapole de nossa boca: vê se não volta mais!). Geralmente, as ovelhas podem estar doentes em nosso aprisco por dois motivos: ou será por negligência de nossa parte (aqui é o caso destes pastores apontados pelo profeta) ou pode ser também despreparo, ou seja, não sabemos como curar e usar os recursos que temos em mãos para tratar dos problemas daqueles a quem pastoreamos. Parece que tanto um motivo como o outro, desagradam profundamente ao Senhor e nenhum deles justificará nossa ineficácia de cumprirmos nossa função de pastores, perante Deus. Veja o que disse Oséias se dirigindo aos sacerdotes de Israel, “o meu povo está sendo destruído, porque lhe falta conhecimento” (4:6). Mas quem seria responsável em passar ao povo o conhecimento para que não fossem destruídos? Os sacerdotes, os líderes, e porque não dizermos: os pastores. Mas veja o que o Senhor disse ainda no verso 4, “Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu, te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim”. Aqui o texto está claro: porque o sacerdote rejeitou o conhecimento, o povo também ficou sem o conhecimento e ambos sofreram as conseqüências disto. O problema apontado então é tanto negligência como falta de conhecimento, e parece que biblicamente falando, estes dois pecados caminham bem juntos.
Finalmente, o Senhor disse através do profeta que a “a desgarrada não tornaste a trazer e a perdida não buscaste”. Em outras palavras, estes pastores estavam mesmo totalmente desatentos quanto ao cuidado com suas ovelhas. Talvez pensassem: “Há, puxa vida, já tenho tantas que uma menos ou a mais não faz falta” ou quem sabe, “estas que fugiram são por demais problemáticas, não irei atrás delas”, e assim permitiram que estas ovelhas saíssem de seus apriscos. Mas vejo só como Jesus nos ensinou diferentemente na parábola das cem ovelhas. Ele deixou o aprisco em busca da que estava perdida. Sua conclusão foi a seguinte, “Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos” (Mateus 18:14). É preciso que na medida que Deus restaurar em nossas vidas, o real sentido do pastoreio, que possamos também ir atrás daquelas ovelhas que encontram-se perdidas, fora de nosso aprisco.

Libertação e Cura: Funções do Pastoreio

Quando Jesus referiu-se aos falsos pastores de sua época, disse que eles não tinham cuidado com suas ovelhas (João 10:13) e por isso elas viviam como se não tivessem pastor, “e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor” (Marcos 6:34). Qual era o estado destas ovelhas nas mãos destes tipos de pastores descuidados? “Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas, como ovelhas que não têm pastor” (Mateus 9:36). Quando não assumimos a real função do pastoreamento, tornamo-nos pastores de ovelhas cansadas, insatisfeitas, feridas e propensas a saírem do aprisco, ou seja, de nossas igrejas.
Pastorear é cuidar, ensinar, edificar, exortar, fortalecer, curar e também libertar. Dentre todos estes itens, que compõe a atividade de um verdadeiro pastor, enfatizamos aqui neste livro a necessidade de um pastor ter conhecimentos nas áreas de libertação e cura interior ou aconselhamento. Mesmo que não vá atuar diretamente nestes campos, que saiba ao menos preparar ensinando outros para que possam estar assumindo esta função na igreja local. Eu às vezes tenho ficado assustado com o número de pessoas feridas, doentes e presas espiritualmente, presentes nas mais diferentes igrejas. Em alguns lugares, pra piorar, não há quase ninguém que entenda destes assuntos que temos aqui apontado. Que pena que muitos pastores não dão mais qualquer importância ao ministério de libertação e cura em suas igrejas, atividades estas que se constituíram de vital importância no ministério de Jesus. Veja o tão conhecido texto de Isaías 61, “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu, para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos, e a pôr em liberdade os algemados; a proclamar o ano aceitável do Senhor”. Infelizmente, o que alguns pastores sabem hoje apenas fazer é pregar o evangelho aos pobres, no entanto, depois que estes o aceitam, se convertem ao Senhor, desconhecem como cura-los de suas feridas interiores e também como tirar deles todas as ataduras espirituais que ainda os prendem. Aí está então o fracasso ministerial de muitos pastores. Acabam incorrendo na profecia de Jeremias, “Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não he paz”(6:14)
A minha oração é para que Deus nos levante como pastores e líderes cheios do seu Espírito e também cheios de sua sabedoria, para que possamos ser então grandes ganhadores de almas, mas também grandes curadores e libertadores de almas que estão presas pelo Diabo, para que assim Cristo ao voltar, leve para si uma “igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem cousa semelhante, porém santa e sem defeito” (Efésios 4:27). Vamos então adornar a noiva de Cristo!

Pr. Alcione Emerich

*** É permitida a cópia, desde que cite a fonte.

Um Comentário

  1. foi uma bênção esse ensino na minha vida louvo a Deus por esse pastor trazer esse ensino

Deixe um comentário