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RELIGIOSIDADE - PARTE III

“Vede, guardai-vos do fermento dos fariseus…” (Mc 8:15)

Se você analisar o Novo Testamento, é incrível: Parece que cada página que retrata o ministério de Jesus (Ele curando, salvando, perdoando, libertando, etc), contém também relatos da presença dos religiosos fazendo algum tipo de oposição ao seu ministério. Eu não tenho dúvidas de que o Novo Testamento é o claro relato da batalha de Jesus contra o espírito religioso que infiltrou-se na mentalidade do povo de Deus na época. Em cada capítulo o nome de Jesus aparece, quase na mesma freqüência que os termos “farisesus”, “saduceus”, “escribas”, etc. Isto lhe ensina alguma coisa?

 

Fiquei impressionado quando em minha meditação matinal, deparei-me com o relato bíblico do julgamento de Jesus. Fiquei pasmo ao descobrir que a primeira “cusparada” no rosto de Jesus não veio de um soldado romano, nem de um oficial da época, mas sim de um dos principais sacerdotes ou líder religioso da época, que compunha à elite espiritual, composta de 70 judeus, denominada “Sinédrio”.

“ Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou! Que necessidade mais temos de testemunhas? Eis que ouvistes agora a blasfêmia! Que vos parece? Responderam eles: É réu de morte. Então, uns cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros, e outros o esbofeteavam, dizendo: Profetiza-nos, ó Cristo, quem é que te bateu!” (Mateus 26:65-68 RA)

Quem primeiro cuspiu na face de Jesus foram os membros do Sinédrio, todos líderes, pregadores, mestres e, sobretudo conhecedores da Palavra de Deus (Antigo Testamento). Eu fiquei pasmo quando refleti sobre isto. E mais: quem entregou Jesus para ser morto foram estes mesmos líderes religiosos. A que ponto a religiosidade pode cegar as pessoas, é o que muito me deixa impressionado.

Jesus quando quis nos ensinar sobre a religiosidade usou a figura do “fermento”. Em diversas ocasiões ele alertou aos seus discípulos sobre o perigo do “fermento dos fariseus”. Vejamos:

“E Jesus lhes disse: Vede, e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus (…) Então entenderam que não lhes dissera que se acautelassem do fermento de pães, mas da doutrina dos fariseus e saduceus” (Mt 16:6)

“Preveniu-os Jesus, dizendo: Vede, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes” (Mc 8:15)

“Posto que miríades de pessoas se aglomeraram, a ponto de uns aos outros se atropelarem, passou Jesus a dizer, antes de tudo, aos seus discípulos: Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia” (Lc 12:1)

Paulo também expressou sua mesma preocupação quando escreveu aos coríntios e aos gálatas:

“Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?” (I Co 5:6)

“Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado” (I Co 5:7)

“Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da verdade” (I Co 5:8)

“Um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gl 5:9)

O que há na composição do fermento, que pode ilustrar a mensagem dos fariseus e de modo geral, o modo como o espírito de religiosidade atua? Por que Jesus comparou a religiosidade ao fermento? Após algumas pesquisas, conclui que há pelo menos quatro características que denotam a natureza do espírito da religiosidade:

Pouquíssimo é necessário para contaminar

O fermento em comparação a toda massa onde será colocado, é insignificante. No entanto, ele é capaz de “contaminar” toda massa. O que Jesus nos ensina com isso, é que a sutileza da religiosidade, é que ela não vem à semelhança dos “pactos satânicos”, “imagens de deuses estranhos”, “mantras e símbolos dos mais esquisitos”, etc., nada disso! A religiosidade vem como um “pouquinho de fermento”. Algum “ensino” que colocamos em nosso evangelho, que acaba por contaminá-lo completamente.

Avalie se algum método que você aplica em sua igreja, ou idéia, pensamento, teologia, tradição, seja o que for, perceba que isto, se não vier do coração de Deus, tem o poder de estragar tudo! Veja em sua própria mentalidade, se há algum paradigma que “suga” a vida de Deus em você, caso contrário, você pode ser um forte candidato ao espírito da religiosidade. “Um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gl 5:9)

É de difícil discernimento

O fermento depois de colocado na massa, não pode ser mais visto. É quase impossível discerni-lo, pois apenas enxergamos o resultado que produziu na massa, fazendo-a “estufar”. Assim também a religiosidade é de difícil discernimento, é como se ela fosse se misturando com nossa fé e vida com Deus, e de repente já não sabemos mais “quem é quem”, ou seja, até que ponto somos filhos de Deus autênticos ou meros religiosos.

A religiosidade é sutil, pois ela traz consigo muitas coisas aparentemente boas: o culto, o dízimo, os jejuns, rituais, orações, etc., entretanto Jesus disse que mesmo praticando estas coisas e muito mais, você ainda pode estar na categoria de “filho do inferno”! (Mt 23:15 ). Sem um profundo discernimento, às vezes é quase impossível distinguir um religioso do cristão verdadeiro. Ambos são “parecidos”, entretanto, enquanto um é por dentro, o outro é apenas por fora, só aparências. A questão é que muitas vezes esta “aparência” pode seduzir o cristão sincero, fazendo-o “degustar” um evangelho contaminado.

A marca principal da doutrina dos fariseus era a hipocrisia. Jesus disse, “Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia” (Lc 12:1). No grego hupocrisis, quer dizer também “atuação de um artista de teatro”. Não tenho dúvidas, de que o alvo principal do espírito de religiosidade é nos levar a viver uma vida de aparências, em profunda desconexão com nosso mundo interior e privativo. E mais: esta marca da hipocrisia, por vezes tende também a nos seduzir. A religiosidade “aparenta” ser de Deus, mas não é. Tem aparência de “culto”, mas não é. E mais: parece-se com “santidade”, mas não é. É por isso que é difícil discernir o espírito da religiosidade. Em todos os outros casos, é aparentemente mais fácil. Por exemplo, o espírito da prostituição se manifesta como “sedução”, “lascívia”, etc. O espírito da idolatria apresenta-se como “colocar no lugar de Deus qualquer outra coisa”. O espírito de roubo apresenta-se quando alguém se apropria de algo indevidamente. Mas e como discernir o espírito da religiosidade, já que a pessoa ora, jejua, vai a igreja, dizima, prega, etc.? Não é assim que os fariseus faziam? Os tais eram impecáveis no quesito “consagração”, “jejuns” (faziam isto três vezes na semana, o que a maioria de nós não faz), “dízimos” (eram detalhistas neste quesito, “dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho…” Mt 23:23), e muito mais. Como então discernir este espírito? Permanece o dilema. Podemos afirmar que é um dos graus de “demonização” mais difíceis de serem discernidos, já que o próprio diabo age falseando o verdadeiro conceito de “vida com Deus”. Adiante estaremos estudando as “evidencias da religiosidade”.

Alto poder de influência

O fermento possui a mais rica coleção de enzimas, e este fato possibilita ao mesmo “atacar” praticamente qualquer tipo de substância. Quando Jesus falou do “fermento dos fariseus”, quis dizer que a religiosidade é algo tão sutil e poderoso, que se não cuidarmos, podemos ser igualmente engodados e contaminados pela sua forte influência. Igrejas fundadas por Paulo, em especial a de Corinto e da Galácia, foram influenciadas por este espírito. Paulo inquiri aos gálatas, “Vós corríeis bem; quem vos impediu de continuardes a obedecer à verdade? Esta persuasão não vem daquele que vos chama” (5:7,8). O problema da igreja foi relatado no verso seguinte, “Um pouco de fermento leveda toda a massa” (v.9). O fermento sujo da religiosidade imiscui-se na mente daqueles irmãos que receberam a genuína verdade de Deus. Mas reveja o verso oito, “Esta persuasão não vem de Deus”. Assim, podemos mais uma vez atentar o alto poder de influência do espírito da religiosidade. Aos coríntios Paulo também disse, “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado” (I Co 5:7). Para que sejamos nova massa, é necessário retirar do nosso meio o “velho fermento” da religiosidade.

Produz mudanças significativas

O fermento não apenas influencia, mas também “altera a composição química de um elemento”. Aqui esta uma terrível conseqüência da religiosidade: Um pouco deste fermento contaminado, é capaz de provocar “mudanças em nossa vida”, é claro, que para pior. Quando você se converteu a Jesus, você recebeu o “bom fermento” de Cristo , e passou a crescer, prosperar e florescer para glória de Deus. Entretanto, se o fermento da religiosidade entrou no seu coração, isto começou também a gerar mudanças na sua vida, ocasionando uma série de mudanças espirituais, que aos poucos foi minando sua relação com Deus, com seus irmãos e consigo mesmo.

É interessante vermos alguém que um dia foi de Jesus, experimentou de sua vida, mas que logo em seguida, passou a alimentar-se de um pão fermentado pela religiosidade. As mudanças são sutis, mas bastante profundas, conforme veremos adiante. Por ora, basta sabermos que a religiosidade pode também provocar amplas alterações em nosso caráter espiritual, sem que às vezes tenhamos dado conta disso. Lembre-se que uma das principais marcas de satanás é a mentira e a sedução.

Nem tudo que cresce, vem de Deus

O fermento age fazendo a massa “crescer”. A religiosidade também pode produzir um tipo de crescimento, mas nocivo do ponto de vista espiritual e emocional. Muitas vezes uma igreja pode crescer, aparentemente prosperar, assim também como um líder, pode galgar altos passos em sua hierarquia eclesial; entretanto, nada disso é garantia de que tal crescimento venha do trono de Deus. É claro, creio que uma das principais marcas da bênção de Deus é o crescimento. Entretanto, no reino de Deus tudo que começa, inicia-se pequeno. Jesus disse, “É semelhante a um grão de mostarda que um homem plantou na sua horta; e cresceu e fez-se árvore; e as aves do céu aninharam-se nos seus ramos” (Lc 13:19). Primeiramente, cuidado com coisas que já começam grande, isto é geralmente contrário à natureza do reino de Deus. Lúcifer aparentemente começou grande ao dar início ao seu “reinado”, após rebelar-se. Em apocalipse temos o relato de que um terço dos anjos do céu rebelaram-se (12:4), devido ao seu “comércio” (Ez 28:16). Comerciar é a arte de seduzir. Que interessante: O diabo começou sua “igreja” já com uma grande multidão de membros. No entanto, este aparente “êxito”, em nada vinha de Deus. Tudo não passava de mera sedução, fato que conduziu todos estes seres angelicais a serem lançados fora do monte santo de Deus (Ez 28:16).

É triste vermos que algumas pessoas ou igrejas estão “crescendo”, mas com isto, vemos também que ficam cada vez mais soberbas, jactanciosas, isoladas e endurecidas. Certos “crescimentos” vêm marcados por divisões, contendas, desvalorização da pessoa humana, etc., creio que isto não possa vir de Deus. É o fermento estragado da religiosidade. Me preocupa quando veja uma igreja que adota uma visão de trabalho, intitulando de “a visão”. Cuidado com o artigo definido “a”, “o”, pois ele foi dado apenas a Jesus, “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14:6). O que vemos muitas vezes é uma linha de trabalho que passa a ser idolatrada e os membros tornam-se enfeitiçados e igualmente idólatras. No meio evangélico também idolatra-se “denominação” , “doutrina” , “placa denominacional”, “pastor” , etc. Pastores devem e precisam ser honrados, isto é benção para a igreja, mas por favor, não incorramos no erro da “idolatria pastoral”. Isto é sintoma de religiosidade. Se o crescimento traz consigo divisões, soberba, idolatria, sentimento de superioridade, idolatria pastoral, isolamento denominacional e coisas similares, podemos afirmar que este crescimento não vem de Deus. Lembre-se: o “fermento dos fariseus” faz também a massa crescer, mas os resultados não são em nada positivos. O resultado final é morte!

A morte espiritual e emocional

As coisas acontecem na nossa vida, e só mais tarde entendemos os propósitos divinos. Houve uma ocasião quando criança, que eu e meus amiguinhos saímos para uma floresta a fim de nos aventurarmos. Lá chegando, após algumas horas, tivemos fome. Foi então que avistamos uns “coquinhos”, tipos umas sementes, com uma massinha branca no interior, boas de serem degustadas. Comemos à vontade, pois pensamos que aquilo não nos faria mal. Após voltarmos para as nossas casas, não apenas eu, mas todos os meus amiguinhos fomos levados ao hospital, com sintomas como enjôo, vômitos, etc. Ou seja, apesar de ser bom ao paladar e ter aparência de “coquinho”, na verdade o que comemos era “veneno”, e isto poderia nos levar à morte! Assim é a religiosidade.

Quando o profeta Eliseu foi visitar alguns estudantes das Escrituras em Gilgal, havia grande fome em Israel (2 Reis 4:38-41). “Chegou a hora do jantar, enquanto a panela fervia, um dos discípulos dos profetas saiu à procura de alguns vegetais a fim de preparar um caldo. Visto não haver por ali fazendas onde pudesse comprar provisões, aquele estudante pesquisou os pastos silvestres ao redor da comunidade. Ele enfim encontrou algo que ele acreditou ser pepinos. Na verdade, deveriam ser o que se denomina “colocíntidas”, que parecem pepinos comestíveis, porém são venenosos. O Estudante regressou e, satisfeito por haver encontrado tão depressa bastante alimento para todos, começou imediatamente a preparar o caldo. Todos viram à mesa a sopeira cheia de rodelas do que lhes pareceu ser pepino. Enquanto o Profeta Eliseu ensinava, a sopa borbulhava; nenhum aroma indicava que o caldo fosse venenoso. É claro que ninguém estava procurando indício indicativo de que algo estava errado. Por que haveriam de ficar procurando afinal? Um dos companheiros colhera os vegetais e havia preparado a refeição; ele mesmo, o cozinheiro chefe, estava disposto a saboreá-la! Só no momento em que a comida estava em suas bocas é que alguém descobriu o gosto do veneno, o sabor da morte. E essa pessoa desesperadamente gritou: há morte na panela!”

Como já dissemos, a religiosidade é sutil, tem aparência de “pepino comestível”. Ninguém desconfiou ali que estavam para comer algo venenoso, pois tinha boa aparência. Tais fatos me levaram a chegar a seguinte conclusão: Na maioria das vezes, o espírito da religiosidade pode invadir a mente de alguém, através de sua dieta espiritual contaminada. Ainda bem que aqueles obreiros treinados por Elisel tinham paladar apurado e rapidamente souberam identificar o alimento mortífero. No entanto, muitos de nós, por não termos o devido discernimento, corremos o risco de estarmos anos a fio comendo diariamente ou dominicalmente (ou no culto das quartas-feiras), um alimento carregado deste “pepino mortífero” ou do “fermento dos fariseus”. Ou seja: O que quero dizer é que nossa teologia pode estar contaminada. No que cremos, vivemos e recebemos, pode haver morte misturada. Pode ser o “pão espiritual” (a Palavra), mas a massa foi levedada pelo fermento mortífero! E o pior de tudo isto: se como líder, houver morte também em sua “panela” (teologia), é desta comida contaminada que o seu rebanho vai alimentar-se! Assim, temos visto igrejas inteiras debaixo da influencia deste espírito de religiosidade, simplesmente porque primeiro o líder foi infectado.

Caso você identifique isto em sua vida, grite como aqueles homens, “morte na panela!”. Peça a Deus que a semelhança de Eliseu, traga limpeza para sua “panela”. Talvez toda comida precisará ser jogada fora, e você terá de começa tudo de novo!

Alcione Emerich

 

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