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ABUSO ESPIRITUAL PARTE 1

“Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho. Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.” I Pe 5.1-4).

A autoridade espiritual é bíblica e salutar. Sem ela seríamos uma multidão de pessoas vivendo desordenadamente. A questão é que dada a premissa da autoridade, algumas pessoas desenvolverão uma atitude positiva, lícita e coerente com a Palavra de Deus ou negativa, ilícita e anticristã. Martin Loyd Jones afirma que o "Diabo é o pai dos extremos". O abuso espiritual é a distorção satânica que tem embevecido o coração de muitos líderes e mutilado a personalidade de muitas ovelhas.Segundo Neil Anderson o abuso da autoridade é uma das principais causas de fracasso na vida de um líder. Uma pesquisa demonstrou isto investigando a vida de cerca de mil lideres nos EUA.

O abuso espiritual poderia ser definido como o encontro entre uma pessoa fraca e uma forte, em que a forte usa o nome de Deus para influenciar a fraca e levá-la a tomar decisões que acabam por diminuí-la física, material, espiritual ou emocionalmente.

A partir desta definição, passo a apontar algumas distorções teológicas apontadas no livro "Feridos em nome de Deus" (Marília de Camargo) que favorecerão o abuso espiritual numa igreja local.

- O pastor como intermediário entre Deus e os homens. O dominador se torna um rival de Deus, levando a pessoa a depender mais dele do que de Deus. A igreja evangélica que tanto criticou o sistema católico, devido a devoção aos santos e ao papa, acabou por fazer a mesma coisa, quando acabou por colocar seus pastores na mesma posição. Onde está a visão de que cada crente é um sacerdote? Tg 5.16 e I Pe 2.9.

- O mito do pastor perfeito. Idealizar e mistificar o pastor, acreditando ser ele a voz de Deus na terra, uma pessoa sempre madura, ética e bem resolvida do ponto de vista emocional, contribui significativamente para difundir a prática do abuso espiritual. Para muitos descobrir que o pastor é apenas um ser humano é uma revelação de proporções apocalípticas. Assim como na época de Moisés, nós ainda temos necessidade de construímos os nossos “bezerros de ouro”. Para fugir deste estereotipo de perfeição, os pastores poderiam adotar uma postura mais humana. “Meu querido irmão, me desculpe, mas eu não tenho respostas para isto”. Aqueles pastores que se permitem ser frágeis, que tratam suas emoções com delicadeza, que desabafam com seus pares, que se permitem falhar e não posam de semideuses, parecem ter menores chances de se transformar em autores de abuso”.

- O líder é inquestionável. Ser taxado de rebelde por discordar de algo que o pastor disse. Afinal o cristão é um soldado e soldado não questiona as “ordens”. “Numa noite, comuniquei ao pastor principal da comunidade que não aprovava o esquema do G12 – uma fórmula de crescimento em pequenos grupos adotada por muitas comunidades evangélicas visando à expansão exponencial - Fui chamado, aos berros, de feiticeiro porque estava me colocando contra a vontade de meu guia espiritual”. Para os abusadores, “pastorear” é uma forma de confinar pessoas a um relacionamento em que um cristão obedece a outro sem questionar. Muitos não podem questionar nada sob a pena de serem taxados como “rebeldes”, “bruxos”, “pais de santo” etc. Muitos sofrem humilhações e ficam calados, afinal não pode contradizer aquele que é a voz de Deus para a igreja.

- Quando o conselho ou a opinião do pastor deixa de uma “sugestão” para ser uma “imposição” com inspiração divina. A opinião do membro não é mais respeitada. O individuo se vê dilacerado em sua liberdade dada por Deus. A grave conseqüência disto é que as pessoas “sujeitadas” não desenvolvem autonomia e nem mesmo responsabilidade pelas próprias escolhas. Aliás, muitas pessoas assim nem tem recursos para poder escolher. Tudo precisa ser submetido à liderança eclesiástica, pois não são mais capazes de avaliar por elas mesmas o que é certo. Elas se tornam fracas, um joguete nas mãos dos outros. “Aprendiam com a pastora Sandra a Palavra de Deus de um jeito autêntico e se acostumaram a orar por tudo, a consultar a Deus e à pastora, também, claro, antes de dar cada passo”. Quando a palavra do pastor é equiparada à palavra divina, e o pastor permite que se ouça dessa maneira, isso implica abuso. A palavra de um líder é um discernimento possível, uma sugestão, uma opinião, uma sabedoria adquirida com o tempo. O que eles dizem de forma aleatória passa a ser verdade absoluta

- A crescimento como justificativa para o abuso - Muitos líderes com o crescimento do rebanho se tornam abusadores. Acham que se Deus está “abençoando” seu comportamento então está justificado. No início os relacionamentos eram mais profundos, ele era mais gracioso no falar. É quando floresce o lado orgulhoso e abusador.

- Quando a igreja torna-se mais importante do que a família. Neste caso, rupturas familiares causadas por causa da devoção a uma igreja ou líder religioso são comuns. O cônjuge e os filhos são relegados ao segundo plano.

-Paternalismo - os adultos passam a ser tratados como crianças e os lideres agem fora de sua esfera de autoridade. Muitos líderes começam a dar ordens às pessoas como se elas não fossem mais adultas, “você não vai se casar com esta pessoa!”, “você precisa mudar de casa!”. Ed René Kivitz, “A autoridade pastoral não pode descer ao detalhamento da vida pessoal: Com quem vou casar? Que proposta de emprego devo aceitar? Devo vender minha casa e comprar um apartamento? Isso está fora do campo de autoridade pastoral, porque esse campo é teológico e ético. Posso descrever para você o que a Bíblia diz sobre como deve ser o caráter do homem com quem você vai se casar. Mas é você quem vai ter de decidir à luz desses critérios”. O que passar disso, diz Kivitz, configura abuso.

-Quando uma “visão” está acima da pessoa humana.. Foi assim que se deram as grandes chacinas e as grandes guerras do século XX. “Quando o ideal é maior que a pessoa, as pessoas podem ser, sim, sacrificadas em nome dele”. Não é que o líder tenha o desejo sádico de esmagar os outros, mas porque acha-se responsável por cumprir o chamado de levar o povo à “terra prometida”, acaba por submeter, a qualquer preço, infiéis e rebeldes à obediência”. Nenhum ideal pode ser maior do que a vida humana, criada à imagem de Deus.

"Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça!”

ALCIONE EMERICH

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